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O que os jovens pensam sobre sustentabilidade

Equipe da ComC&T realizou enquete entre alunos da ECT.

Seja dentro de empresas ou universidades, a sustentabilidade tem sido uma pauta frequente. Com origem do latim sustentare, que significa conservar e defender, esse conceito foi utilizado pela primeira vez no relatório Brundtland, também conhecido como “Our Common Future” (Nosso Futuro Comum, tradução livre) da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, publicado em 1987. Após 15 anos da realização da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável realizada em Joanesburgo, na Rio+10 foi definido que a sustentabilidade é a harmonia entre três dimensões: ambiental, econômico e social. 

A estudante do quinto período do curso bacharelado em Ciências e Tecnologia (CeT)  Keylla Lira entende que sustentabilidade é um conjunto de medidas que possibilitam o desenvolvimento sem que o meio ambiente seja prejudicado. 

“Um desenvolvimento que concilia a necessidade capitalista de produção com projetos para reduzir os danos ambientais”. Essa é a opinião de Pedro Queiroz, estudante do quarto período de CeT. A fala do estudante ressalta o segundo pilar da sustentabilidade: o desenvolvimento econômico. 

Ao longo dos anos, o progressode uma sociedade é, na maioria das vezes, analisado a partir de seu desenvolvimento econômico. Esse modelo de desenvolvimento tem sido criticado devido à necessidade de preservar os recursos naturais do planeta Terra. Em entrevista ao jornal Estadão, no ano de 2017, Aron Belinky, Coordenador do Programa de Produção e Consumo Sustentáveis do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas, afirmou que negócios compatíveis com o conceito de sustentabilidade tendem a prosperar, mas em contrapartida os que não compactuam com esse conceito tendem ao declínio.

O desenvolvimento social, terceiro pilar da sustentabilidade, é ressaltado na fala de Rondinelle Cunha, que cursa o quinto período de CeT. “Um desenvolvimento que preserve os recursos de forma que não afete o desenvolvimento de gerações futuras” é o que pensa o estudante. Está aqui  contemplado, tanto o desenvolvimento das gerações futuras quanto problemas enfrentados pela sociedade atual, como educação, violência, índices de pobreza e lazer. 

Segundo o relatório apresentado pela Organização Mundial das Nações Unidas (ONU), 750 milhões de adultos ainda são analfabetos e 55% da população mundial ainda não têm acesso à proteção social. Uma pesquisa realizada em 2011 pelo Instituto Akatu para o mapeamento mundial Global Survey on Sustainable Lifestyles, coordenado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), mostra que “combater o crime” é uma prioridade e corresponde às respostas de 32% dos entrevistados; em seguida, aparece “reduzir e erradicar a pobreza”, com 27%; em terceiro lugar, os entrevistados citam “melhorar condições econômicas”, com 18%; e, por fim, com 11%, temos “combater degradação ambiental e poluição”.

Os estudantes também foram questionados sobre um estilo de vida mais sustentável. “É possível ter um estilo de vida sustentável, usando e preservando os recursos a partir de um bom planejamento” afirma Maurício Moreira, estudante do sexto período de CeT.  Segundo ele, simples mudanças no dia a dia fazem uma grande diferença.

O que é a Agenda 2030 ?

O ano de 2015 representou um marco na história do planejamento para tornar o planeta mais sustentável. Naquele ano, reunidos em Nova York, 193 representantes da ONU discutiram e adotaram um plano de ação para melhorar gradativamente a vida no planeta Terra,  enquanto se diminui condições críticas socialmente como a pobreza. Com isso, tendo como base os Oito Objetivos do Milênio (ODM) estabelecidos após a Cúpula do Milênio das Nações Unidas, em 2000 – foram elaborados 17 objetivos, em conjunto com 169 metas, com o objetivo de dar continuidade aos ODM fazendo com que as metas sejam alcançadas por completo ou obtenham um resultado próximo ao que foi pré-estabelecido. Desse modo, a agenda reflete quais ainda são os desafios desse desenvolvimento e visa erradicar a pobreza, promovendo uma vida digna a todas as pessoas sem agredir o planeta. 

17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 
Fonte: Nações Unidas 

Sustentabilidade em debate 

A discussão sobre o papel das universidades federais na sociedade tem se intensificado ao longo dos anos. Responsáveis por gerar conhecimento, professores, pesquisadores e alunos estão inteiramente envolvidos em um local marcado por mudanças e descobertas, tais que devem ser aplicadas na sociedade, como forma de retornar ao cidadão o investimento. Dentro da Escola de Ciências e Tecnologia (ECT), por exemplo, já foram iniciados 554 projetos de pesquisa e 223 projetos de extensão, de cálculos gravitacionais até discussões de gênero na literatura, a ECT é marcada por interdisciplinaridade. 

A Política Nacional de Extensão Universitária afirma que dentro dos centros universitários devem ser realizados processos de produção, inovação e disponibilização de conhecimentos, de forma que o acesso ao saber e o desenvolvimento tecnológico e social do país seja ampliado; da mesma forma, deve-se priorizar práticas voltadas para o atendimento de demandas sociais, como habitação, geração de emprego etc, e também estimular a educação ambiental e o desenvolvimento sustentável. Dessa forma, é possível fazer uma relação clara entre o que é feito dentro das universidades e a Agenda 2030 da ONU. 

E esse é o início da série “Sustentabilidade em debate” produzida pela ComC&T, onde serão lançadas diversas matérias que mostram como projetos desenvolvidos na ECT aplicam-se diretamente na sociedade, e também outras atividades de pesquisa-ensino-extensão.